Mayra Pinheiro mantém defesa de tratamento precoce na CPI da Pandemia

A médica é secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde

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Mayra é a nona depoente da CPI(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)Mayra é a nona depoente da CPI(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Mayra é a nona depoente da CPI(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
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A CPI da Pandemia no Senado ouve hoje (25) o depoimento da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida pela sua defesa da cloroquina. A medicação, assim como a ivermectina, não tem comprovação de eficiência no tratamento da covid-19.

Mayra afirmou que o MS nunca indicou "tratamento precoce" para covid-19, tendo apenas criado nota orientativa que estabeleceu doses seguras de medicamentos. Ela também disse nunca ter recebido ordem para defender a cloroquina.

Em relação ao estudo da OMS que qualificou a cloroquina como "ineficaz" contra a covid, Mayra disse que ele tem "metodologia questionável". Disse ainda que a OMS demorou a reconhecer a gravidade da pandemia, "o que provavelmente agravou a crise".

Mayra disse que não orientou o ministro Pazuello a submeter a autorização da cloroquina à Nacional de Incorporação de Tecnologia no Sus (Conitec), antes de publicar notas informativas que orientam o uso do medicamento devido à lentidão do processo e por "priorizar salvar vidas".

Mayra Pinheiro ainda disse que mantém a recomendação de cloroquina e hidroxicloroquina no chamado "tratamento precoce" contra a covid-19.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) garantiu, com base em análise científica, que não há estudos no mundo que mostrem que os antiparasitários cloroquina e hidroxicloroquina tenham ação antiviral. Mayra manteve a defesa do uso dos medicamentos em pacientes na fase inicial da covid-19. “No contexto da pandemia, não podemos esperar o mais alto nível da evidência de eficácia, porque ela não vem no curto espaço de tempo”.

Perguntada a respeito de quem foi o responsável por ordenar ao Exército que ampliasse a produção de cloroquina em função do uso elevado do medicamento no tratamento de pacientes com covid-19, Mayra respondeu que não sabe de quem partiu a determinação. “Eu não sei dizer [quem ordenou], o ministro Mandetta [Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde] deveria saber. Eu não sei informar”, disse.

Após exibição de vídeo em que Mayra cita o “efeito rebanho”, ela alegou que a defesa foi de imunidade de rebanho em crianças e que, na população geral, não poderia ser usada indistintamente. Negou que a tese fosse defendida no MS.

TrateCov

Mayra Pinheiro confirmou que sua secretaria no MS foi responsável pelo desenvolvimento do TrateCov, aplicativo para tratamento da covid-19. Segundo ela, a plataforma nunca foi colocada no ar, tendo sido apresentado um protótipo. No entanto, a informação é contestada, já que o aplicativo chegou a ser divulgado em reportagem da TV Brasil e declarações da própria Mayra na época mencionavam o lançamento do aplicativo.

“Diante do quadro epidemiológico que hoje toma conta do estado do Amazonas e diversos estados brasileiros, nós estamos apresentando para a sociedade um aplicativo que permite forte valor preditivo, que diz se um doente, diante de suas manifestações clínicas, tem ou não a Covid-19. E assim nós pudemos, em um período de cinco minutos de utilização do aplicativo, ofertar imediatamente para milhões de brasileiros o tratamento precoce, evitando que essas pessoas evoluam para quadros mais graves”, afirmou Mayra Pinheiro em cerimônia em Manaus, explicando também que o aplicativo já estava disponível nas plataformas do Ministério da Saúde. 

Na CPI, Mayra afirmou que os parâmetros da plataforma seguiam estudo internacional. Ela disse que a ferramenta poderia ter salvado muitas vidas se não tivesse sido invadida por hacker. A plataforma é tema da CPI por ter indicado medicamentos ineficazes contra a Covid-19.

Manaus

Mayra Pinheiro tem habeas corpus, concedido pelo STF, que permite a ela ficar em silêncio se for questionada sobre fatos ocorridos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, quando ocorreu a crise de falta de oxigênio em Manaus.

Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), Mayra Pinheiro disse que a falta de oxigênio em Manaus em janeiro não foi prevista porque os desfechos de agravamento da covid-19 são imprevisíveis.

Renan questionou o porquê de o MS não ter previsto falta de oxigênio em Manaus, já que relatório de Pazuello previa aumento de casos entre 11 e 15 de janeiro. Mayra disse que não é competência do ministério o fornecimento de oxigênio.

 Mayra Pinheiro afirmou que teve conhecimento do desabastecimento de oxigênio em Manaus em 8 de janeiro. Ela disse que esteve na cidade até o dia 5, mas não foi informada pela Secretaria de Saúde do Amazonas sobre falta do insumo. Em seu depoimento, o ex-ministro Eduardo Pazuello afirmou que soube sobre a falta de oxigênio apenas no dia 10 de janeiro, dois dias depois do informado por Mayra.

Com informações da Agência Senado

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