Um show para toda a cidade

Pianista rodou pelas ruas de Passo Fundo interpretando clássicos na carroceria de caminhão

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Alex Borgmann/ON Alex Borgmann/ON
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Se as pessoas não podem sair de casa para ver um show, em razão das restrições impostas pela  pandemia do novo coronavírus, a alternativa é levar o show até elas. Sentado ao piano, instalado na carroceria de um caminhão, o cantor Rodrigo Solton, emocionou os passo-fundenses, quarta-feira à noite, ao rodar pelas ruas da cidade, interpretando clássicos de diversos estilos e gerações. 

"Não tem como descrever a sensação de ver o carinho das pessoas, nas janelas e sacadas dos prédios fazendo sinais de que estavam arrepiadas com a música", conta Solton. Tanta retribuição, fez com que o show, previsto para durar duas horas,  acabou se estendendo para quatro horas. 

Passo Fundo foi a segunda cidade a receber o projeto Música a Domicílio. A estreia aconteceu semana passada, na cidade de Marau. Idealizador do projeto, junto com Rodrigo, o empresário   Laércio Broco, proprietário da On Line Som e Luz e Ideallize Produções de Eventos, diz que a iniciativa é  fruto da necessidade que artistas e empresários do setor sentiram em buscar novos formatos de espetáculos durante o período de pandemia. "Estávamos parados há mais de 100 dias. Então começamos a pensar numa maneira de abrir novas frentes", revela. A primeira delas foi a instalação do Cine Drive-In, em parceria com o Passo Fundo Shopping. Na sequência, a produtora realizou algumas lives com o pianista Rodrigos, nas redes sociais. "A interpretação dele da música Guri, teve mais de 300 mil visualizações, mas era preciso algo mais", lembra o empresário. 

Ao receber um vídeo, onde músicos percorriam as ruas de uma cidade italiana, 'a ficha caiu'. " Propus ao Rodrigo colocar o piano dele num caminhão e fazer o mesmo. Ele topou, fizemos em Marau e foi um estouro. Apresentei a proposta para empresários de Passo Fundo, que aceitaram de imediato", diz Laércio.

Um dos patrocinadores do evento, Ricardo Bortolini disse que apoiar a proposta, juntamente com outros empresários, foi uma maneira de oferecer um pouco de carinho para a cidade em um momento tão difícil. "Nos procuraram no domingo, contatei outros empresários. Olhei a previsão do tempo e definimos para quarta-feira"comenta. 

 A emoção das ruas logo se espalhou pelas redes sociais.  Moradores de outras regiões da cidade puderam acompanhar o show pela internet através dos vídeos. Um dos momentos mais emocionantes, segundo o pianista, aconteceu em frente ao Hospital São Vicente de Paulo. "Paramos para agradecer aos profissionais da saúde que estão lutando contra o coronavírus, foi inesquecível. Após percorrer várias ruas, o show terminou no bairro Santa Rita, para homenagerar uma adolescente, que completa 15 anos, neste sábado. 

Segunda oportunidade

 Os passo-fundenses ainda terão, em breve,  uma segunda oportunidade de presenciar o espetáculo. Sem fornecer detalhes, Laércio adianta que uma empresa multinacional contratou o show para Passo Fundo e outras 13 cidades onde a empresa tem unidade. Desde a primeira apresentação em Marau, os telefones da produtora não pararam mais de tocar. Nesta sexta-feira, será a vez de Sarandi receber o Música a Domicílio. No dia 4, o caminhão vai rodar em um condomínio de Porto Alegre. " Além do Rio Grande do Sul, temos agenda já para Santa Catarina e Mato Grosso", comemora o empresário. 

Virada na carreira 

Antes de emplacar o projeto Música a Domicílio, na carroceria de um caminhão, o pianista Rodrigo já havia encarado outros 'palcos' poucos convencionais, durante a pandemia. Morador de Bento Gonçalves, o artista de 41 anos, trabalha com música desde a infância. A partir de 2007 assumiu o nome artístisco de Rodrigo Soltton, com um repertório formado por clássicos internacionais, principalmente dos anos 80, e música nacional. "Toquei muito tempo em hotel. Num corredor em que as pessoas passavam e não paravam para ouvir. O dia em que toquei Elton John elas pararam e tudo mudou", conta. 

O piano de acrílico e metal usado no projeto, foi construído pelo próprio artista. Nas semanas que antecederam o fechamento dos estabelecimentos no Brasil, Soltton vivia um momento promissor na carreira. "Passei cinco dias fazendo show no iate do Roberto Carlos. Ele tocava no palco principal e eu na piscina. Os músicos dele me tratavam como artista internacional. Quando cheguei em casa, saiu a notícia de que tudo seria fechado. Foi desesperador", revela. 

Durante o período de pandemia, Rodrigo disse ter feito diversas lives, algumas para auxiliar instituições, como a gravada em um penhasco, em Bento Gonçalves. Também chegou a se apresentar na cobertura de um prédio, mas nada comparado com a emoção de tocar o seu piano pelas ruas da cidade na carroceria de um caminhão."Vinha me virando dessa maneira. Mas nada se compara ao projeto atual. Não é um show para determinado público, é para toda a cidade", descreve. 

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