OPINIÃO

Teclando - 05/08/2020

Duas vacinas

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Duas vacinas

O momento é inusitado e delicado. Carecemos de vacinas. Não apenas uma, mas duas vacinas para mudar esse cenário trágico. A primeira delas, é óbvio, para imunizar a humanidade diante do Sars-CoV-2, mais conhecido como Covid-19 ou novo coronavírus. A outra vacina que necessitamos é para imunizar contra a ignorância. Sim, a incivilidade corre solta por aí. Vai do negacionismo à desobediência civil. Mas o esplendor da ignorância surge em forma de deboche ao próximo. Nesses dias, até bate o pavor ao ouvir a sirene das ambulâncias que passam por aqui. Enquanto familiares não se abraçam mais e comemoram aniversários à distância, pessoas sem a mínima noção perambulam na contramão. Ou, mesmo carregadas de conhecimentos, não estão nem aí para os outros. Dão de ombros e ainda debocham da desgraça alheia.

Os jovens, sempre impetuosos diante de novos cenários, lideram o grupo da ignorância que desrespeita o isolamento social. Festas no interior, baladinhas clandestinas no centro e até parece que eles vivem em outro planeta. Um dado interessante é que a população jovem (20 a 39 anos) representa 45% dos infectados em Passo Fundo. E circulam adoidados pela cidade, se reúnem em grupos, se abraçam e sequer utilizam máscaras. Merecem o troféu do Mérito do Transporte e Logística, pois são os maiores responsáveis pela condução e distribuição do Sars-CoV-2.

Por que os jovens, outrora vanguarda no discernimento, não estão respeitando as regrinhas básicas para o enfrentamento do vírus? Ora, não se trata apenas de uma irresponsabilidade ou rebeldia juvenil. São ações criminosas incitadas, pois, direta e indiretamente, colocam em risco muitas outras vidas. Tomara que logo sejam desenvolvidas as vacinas para nos imunizar ao vírus e, também, dessa ignorância sistemática.

Redes antissociais I

Há décadas, em autocrítica coletiva, ouvimos que o Brasil é o país da piada pronta. Mas, nos últimos anos, também somos vítimas de uma enxurrada de absurdos. É algo para colocar no chinelo o consagrado Febeapá - Festival de Besteira que Assola o País, de Sérgio Porto, o consagrado ‎Stanislaw Ponte Preta. A incoerência assola as novas plataformas digitais que regurgitam o esplendor da falsidade. Nos grupos de WhatsApp abundam as redes de fakenews, além de lorotas de fazer inveja ao nariz do Pinóquio. Hoje, o Brasil é o país da mentira pronta. Sempre digo que a maioria das pessoas, mesmo esclarecidas, não está habilitada para lidar com a informação.

Redes antissociais II

Porém, em total desrespeito às regras de convivência social e às leis, agem como se fossem profissionais da mídia. Não bastassem essas publicações irresponsáveis, ainda explode o mais elevado superlativo da insensatez nos comentários. Publicações desnecessárias que, em muitos casos, desrespeitam e agridem as pessoas. Não há a mínima responsabilidade e o bom senso já evaporou. Acabou o respeito à família. Nem mesmo os momentos delicados, que envolvem doenças, são respeitados. De fato, o que temos são redes antissociais. E, é claro, a falta de punição exemplar aos criminosos.

De olho e ouvidos na Brasil

Diuturnamente, enormes caminhões ainda cortam o centro de Passo Fundo. Mas, pelo ruído reinante na Avenida Brasil, parece-me que a última moda é circular sem a descarga ou com o escapamento aberto pela cidade. E não me venham com desculpas esfarrapadas de que quebrou agora. Um automóvel anda com a descarga aberta há alguns meses. E não está sozinho, pois muitas caminhonetes também aderiram à nova moda. Já a malandragem à manivela está representada pela distorção sonora de ruídos sem partitura. Haja ouvidos para tantos decibéis.

Iracélio

Bah, Iracélio, terminou o espaço. Fica para a próxima.

Trilha sonora

De Jacob do Bandolim com Yamandu Costa e Dominguinhos – Doce de Coco


Gostou? Compartilhe