OPINIÃO

Teclando - 04/11/2020

007

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· 2 min de leitura
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007

Lá pelos anos 1960, o rádio dava asas a minha imaginação. Fui atraído por algumas raras revistas coloridas, as enciclopédias ou a página infantil do Correio do Povo. Na televisão chuviscavam dramalhões mexicanos. O cinema era a bagunça das tardes de domingo, mas não estávamos nem aí para os filmes. Não me lembro de quantos anos eu tinha na minha primeira incursão noturna num cinema. Sabe aquela sensação de piá miudinho se achando gente grande? Foi assim que falei de igual para igual com o gigante que estava na tela. Sim, o próprio. E ele estendeu a mão e se apresentou: “Bond, James Bond”. Num mágico sincronismo, as cordas da guitarra do tema de abertura conduziram-me para o filme.

Beleza, ação. bom humor e glamour suficientes para não levantar da poltrona. E, no dia seguinte, pude encher a boca e contar para os colegas e vizinhos que tinha assistido o 007. Os filmes chegavam com atraso de uns dois ou três anos. Mas lá estava eu na enorme fila, pois nunca perdi um 007. O agente secreto a serviço de Sua Majestade foi um divisor que fixou meus olhos na tela. E afinou meus ouvidos com maravilhosas músicas. Bond mudou tudo. Quem tem mais de 50 aninhos sabe muito bem que depois de 007 a história é outra. Semana passada, morreu o ator Sean Connery. Alguns até tentaram a proeza da obviedade ao manifestar que ele foi o melhor James Bond. Com permissão da crítica especializada, entendo que está errado. James Bond foi Sean Connery!

Filtro político

Tais quais os antolhos que limitam a visão dos animais puxadores de carroças, há um novo artefato que atua no subconsciente das pessoas. É implantado através do abusivo uso das redes sociais. Inicialmente, adere à parte do cérebro responsável pelo controle do ridículo. Vai tomando espaço, ampliando sua ação e criando uma espécie de filtro. A partir disso, quase tudo representa um ameaça e provoca reações fortes diante de expressões que seus programadores classificam como “perigosas”. Dia desses, num bolicho desgarrado entre barbas-de-bode, alguém falou que gostava muito da china. A palavra entrou com maiúscula nos antolhos implantados em um vivente ao lado e o entrevero foi grande.

Baladas e ambulantes

De dia temos ambulante com ponto fixo e, pasmem, com direito a estacionamento privativo na área azul. À noite, tem balada clandestina que funciona na maior desfaçatez. Tudo isso em privilegiada área da Avenida Brasil.

Profissão

Vida de repórter não é fácil. Em 44 anos de atividade passei por algumas adversidades. O desrespeito ao profissional é a pior delas. No início do ano, fomos desrespeitados em inusitada apresentação coletiva com exclusividade para um único veículo. Já o fato ocorrido com os colegas de Florianópolis foi um desrespeito com agravantes de agressão. Ora, se os acometidos pela histeria não tivessem nada para esconder, então por que tamanha reação? Sabiam que estavam errados. Réus confessos.

Chega de lágrimas

Estou preocupado com essa onda de desdém que rola por aí em relação à pandemia. Tem gente andando sem máscaras pelas ruas e não estão nem aí para o distanciamento. Quem disse que acabou? O registro de novos casos ainda é preocupante. Já chorei pela morte de grandes amigos nesta pandemia. Então, vamos evitar uma nova leva de lágrimas.

Iracélio

Desta vez por telefone, Iracélio fez uma análise conjuntural abrangente dos fatos recentes. Ao final, não poderia faltar uma mensagem filosófica. “Antes era não desista dos seus sonhos. Agora é não fuja desses pesadelos”. Tem lógica, Iracélio. Tem muita lógica.

Trilha sonora

Do segundo filme da série James Bond. Matt Monro ‎– From Russia With Love


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