OPINIÃO

Teclando - 11/11/2020

A insatisfação

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· 2 min de leitura
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A insatisfação

Nos últimos anos, vivemos um clima de descontentamento. As redes sociais transpiram ódio. Há uma rejeição por tudo e por todos. Nada ou quase nada serve. Até pode haver situações onde esse tipo de conduta encontre alguma justificativa. Mas, em geral, essa insatisfação é injustificável. É um gesto mecânico respaldado pelo repasse da idiotice sem lógica. Um sentimento que tem o aval de escassos raciocínios. Ora, até faz parecer que ultimamente nada estaria certo. Reclamam de tudo, da vacina que sequer está pronta ao resultado eleitoral de acolá. O mais estranho nessa insatisfação sistemática é a incoerência. Em outras épocas, os mesmos insatisfeitos de hoje consideravam tudo isso normal.

Essa conduta de moleque derrotado em pelada de futebol é um indicativo de mau comportamento quando adulto, inclusive diante de uma mulher pelada. Aliás, se no futebol há algo didático é a aceitação da derrota. Mas isso ainda é um ensinamento preliminar. Como cidadãos, além de assimilar vitórias e derrotas, devemos ajustar nosso olhar ao tempo. Sim, não podemos mudar de conduta de acordo como o vento sopra. Quem muda com o vento é a biruta que fica ao lado das pistas dos aeroportos. E a biruta tem lógica, pois indica o sentido do vento. Já aqueles que se deixam levar pelos ventos reinantes, sequer servem como birutas indicativas. São praticamente acéfalos, mentes tão leves que um sopro de ignorância pode carregá-las.

Papagaio de pirata

Quando iniciei como repórter, há muito (mas muito mesmo) tempo, já existiam os papagaios de pirata. São aqueles que, de alguma forma, procuram uma vitrine para aparecer. Convidados ou infiltrados, têm agilidade para conseguir um bom posicionamento para sair bem na foto. Aliás, os papagaios de pirata obrigam os fotógrafos a inusitados malabarismos na tentativa de tirá-los da foto. Essa conduta oportunista é mais acentuada na classe política. Os surtos dos papagaios de pirata são bem mais críticos em anos eleitorais. Ora, se ainda existem papagaios de pirata, imaginem a sujeira do poleiro dos papagaios?

Sem máscaras, não!

Por que muitas pessoas abandonaram o uso da máscara de proteção? Até pode parecer que acabou a pandemia e não me avisaram. Sinto-me ameaçado quando encontro alguém sem máscara. Também somos ameaçados por todos os tipos de aglomerações, inclusive as baladinhas clandestinas. Ora, para enfrentarmos esse momento é necessário ter respeito pelo próximo. Não tire a máscara. E jamais converse com alguém sem a máscara.

Sonhando na pandemia

Na semana passada a gula estava me levando ao Boka, com água na boca por um Cheese Bokão e um chope da Brahma. Quase ao mesmo tempo, entrava no Quintino para provar um exclusivo corte Ganadero. E na volta estava no meio da galerinha, comemorando os 11 anos do Batatas. Então, o canto fora de hora de um sabiá urbano me acordou. Acabou o sonho e a festa que, de tão boa, teve até uma ressaca moral. É claro que vou aguardar a poeira pandêmica baixar. Mas a turma pode esperar. A volta será grande.

Iracélio

De tempos em tempos, Iracélio tem aquelas crises em que até parece que o Brizola está sentado ao seu lado. Sábado à tarde, aproveitando que a Mesa Um estava vazia, sentou-se e falou alto para ecoar pelas paredes do Oásis. “Que Elvis, que nada. Brizola vive! Não sou gado, tô firme e não preciso me escorar num poste e quem duvidar que aposte”. Se deu algum jogo, eu não sei. Iracélio nessa época é ainda mais Iracélio.

Trilha sonora

Lucie Bernardoni e Sofia Essaidi com o italiano Toto Cutugno, um dos autores desse hit da música francesa - Et Si Tu N'existais Pas


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