Desafinação orquestrada
Ouvidos afinados, neurônios não-afetados. Ouvidos desafinados, pensamentos neutralizados. Para permanecerem afinados nossos ouvidos não podem ser maltratados. Mesmo filho de professora de música, apenas engatinhei nos ensinamentos musicais. Mas meus ouvidos sempre reagiram com caretas ao desafinado. O estômago tem revoltas e dores quando o semitonado invade o canal auditivo.
A sonoridade agradável passa deslizando pelo ouvido, sem raspar nas paredes e conecta a alma. O som agradável pode ser o canto dos pássaros, os pingos de chuva no telhado ou a música. Eu disse música! Até porque, como diz o antigo colega de microfone O.J., porcaria nem se discute. Então, reclamo sempre que sou agredido pela porcaria que ouvem por aí. Isso, é claro, especialmente em alto-falantes que vomitam sons espúrios. Continuo batendo na mesma tecla, de maneira uniforme e repetitiva como no Bolero de Ravel. Os malditos alto-falantes nas ruas e nas praias afugentam os turistas em Florianópolis. Já em Balneário Camboriú estão proibidos e a praia subiu de conceito. Um caso, que agora chamam de case, para ser avaliado e refletir sobre os estragos causados pela má-educação.
Então, não é uma questão de bom ou mau gosto. Simplesmente caímos na vala da falta de conduta comportamental. E, especialmente, de respeito. Desde pequenos aprendemos que nossos direitos terminam onde começam os dos outros. Ou, desenhando, os ruídos que você produz não podem atingir os ouvidos dos outros. Simples assim. Porém, estranhamente, há interesses politiqueiros para desqualificar a arte afinada e valorizar a baixaria desafinada. Um movimento contrário ao compasso da humanidade e desafinado do diapasão erudito. Ao invés da educação, pregam a grossura explícita. Alguns até andam uniformizados.
Churrasco geográfico
Vi uma chamada em site de notícias sobre a Capital Nacional do Churrasco que seria na Serra Gaúcha. Ora, imaginei, puxaram o tapete da Lagoa Vermelha. Conferi a notícia e tinha serra e mais serra. Lá pelas tantas, finalmente, um alívio ao ver que era mesmo em Lagoa Vermelha. A matéria rolou na televisão em rede nacional. E sempre colocando Lagoa Vermelha na Serra, em alusão à Encosta Superior do Nordeste. Mas Lagoa está entre Passo Fundo e Vacaria, ou seja, entre o Planalto Médio e os Campos de Cima da Serra. E, de fato, Lagoa Vermelha integra os Campos de Cima da Serra. Então, por que essa turma insiste com Serra? Isso também é uma forma de deseducar. Ora, desde as primeiras etapas do ensino nos ensinaram sobre a divisão fisiográfica do Rio Grande do Sul.
Peripécias
A convivência dos condutores de automóveis e de motocicletas nunca foi um mar de rosas. Há, de parte a parte, desrespeitos. Porém, observo um crescimento nos abusos dos motociclistas. No horário de pico das entregas, após às 19 horas, a turma da tele-entrega corre um pouco mais para dar conta da demanda. Isso, parcialmente, é até compreensível. Mas alguns andam indo muito além do que a mais generosa admissibilidade possa permitir. Furar sinaleira até parece prática comum. Mas as peripécias vão além e tem gente andando na contramão, atravessando canteiros e muito mais. Fico curioso em saber quantos desses infratores são multados por noite?
Pedágios
O avô do humor brasileiro, Apparício Torelly ou, simplesmente, Barão de Itararé deixou definições sempre atuais. Agora, quando a turma está gritando contra os pedágios, tem uma do Barão que vem a calhar. “Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.” Isso cai como uma luva para as sempre polêmicas privatizações ou, cá entre nós, privatarias. Lembro-me que, lá pelos anos 1990, o Estado melhorou algumas estradas e entregou-as para estrangeiros. Diziam que era a modernidade e a evolução. Cobraram pedágio um bom tempo, deram uma guaribada e sumiram. Agora, diante da proposta de novos pedágios na região, os prefeitos assumiram a trincheira contra a cobrança. Gato escaldado...
Pastelaria
O vento às vezes até minimiza um pouquinho o fedor. Mas o vento também vira.
Centenário
Com ou sem pedágio, faltam 127 dias para o Centenário de O Nacional.
Trilha sonora
Jazz com Bossa - Fly Me To The Moon

