Pelos caminhos de Passo Fundo
Passo Fundo é grande e, com seu entorno, temos a Grande Passo Fundo. Não é bairrismo, muito menos falsa modéstia. É apenas uma constatação comprovada pela mensuração do IBGE. No entanto, outras medições também são necessárias para obter uma maior complexidade desse dimensionamento. São aferições que passam por aquilo que hoje vemos. Isso é possível andando pela cidade, pois presente e passado estão nos caminhos de Passo Fundo. Um balanço entre o que tínhamos e o que não temos mais.
A minha cartografia urbana é em formato de “x”: um traço desde a velha entrada pela Vera Cruz até a saída para Marau, outro da Petrópolis ao Boqueirão. Para todos os ângulos, das calçadas às árvores remanescentes, cada passo é de Passo Fundo um importante pedaço. Prédios novos crescem em todos os lados, um bom sintoma econômico. Já as lojas que fecham, dizem os lojistas, seria em consequência dos aluguéis exorbitantes. Na Tamandaré, onde os plátanos resistem bravamente como na Batalha do Riachuelo, encontramos fragmentos da história e uma sensação de paz.
Voltamos à Brasil, onde logo passa um indelicado carro com alto-falante do circo e nos sentimos como palhaços. O que sobrou da Calçada Alta é monumento à urbe. No canteiro central, os Túneis da Leitura estariam em restauração. No outro lado, prédios históricos recuperam a memória cultural. Ao lado, o local do antigo Red’s Burger resgata lembranças do paladar nos anos 1970. Entrando na descida da XV, bate uma fissura pelo brilho do Aguadero. Moron é Moron, não importa o sentido.
A Independência é uma linha reta entre o Boka e o Estádio Wolmar Salton, com ou sem a escadaria. De volta à Avenida, passa um ônibus com luzinhas e barulho irritante. Do outro lado, o movimento parece mais rápido pela Paissandu e Uruguai, um indispensável binário. E isso não é nada, pois temos muitos passos pela frente. Da UPF ao Rodeio ou da Cidade Nova à Efrica, são enormes percursos por entre o que temos ou já tivemos. Um balanço entre hoje e ontem indicam um rumo. É o caminho que vislumbramos na proa.
ARI
Na próxima quinta-feira, a ARI – Associação Riograndense de Imprensa, também presta uma homenagem a Múcio de Castro. Em ato programado para às17 horas, no Salão Nobre da ARI, em Porto Alegre, acontece a aposição de sua fotografia na Galeria dos Líderes da Imprensa Rio-grandense. No seleto acervo, figuram os mais importantes nomes da imprensa no Rio Grande do Sul. Múcio de Castro, que comandou O Nacional até 1981, quando faleceu, sempre gozou de invejável notoriedade no meio jornalístico do estado. Além de figura marcante na imprensa, ainda foi deputado estadual e destacada liderança regional. A homenagem ocorre no ano do Centenário de O Nacional e quando a ARI completa 90 anos.
Solar do Glória
Marcolina Torres, proprietária do Solar do Glória, está preparando a nova iluminação externa do prédio de grande valor histórico. Lembra que esse era um dos sonhos de seu marido, o saudoso amigo Danilo Tatim dos Santos. O moderno sistema da nova iluminação é denominado “Luz Sobre Memórias”. E não são poucas as histórias do memorável prédio. Da sacada do Glória, Getúlio Vargas discursou para a população passo-fundense. Agora, Marcolina está acompanhando a instalação do sistema, um tanto oneroso e complexo. Assim, a proposta é dar novo brilho ao Solar do Glória no próximo dia 25 de novembro. Enquanto uns derrubam, outros iluminam. De fato, uma luz para a memória.
Mais luzes
O final de ano, além da Estrela de Belém, é uma época repleta de luzes. Em Passo Fundo, as luzes do Natal já têm outro nome: Cantata Natalina. Sim, a proposta do Colégio Notre Dame está nos calendários e corações passo-fundenses. Música e milhares de microlâmpadas trazem um brilho especial à cidade. Uma maravilha deste quilate exige muito trabalho. No sábado passado, já estava por lá uma equipe instalando as lâmpadas que, em armação artística, farão do local um palácio encantado. Sim, os encantos de Natal estão em fase de preparação. O resultado será o sorriso e o encanto das crianças de todas as idades. Isso, é claro, porque Papai Noel é bonzinho.
Centenário
Mesmo 132 dias após o Centenário de O Nacional, aqui em Passo Fundo ainda vigora o icônico editorial de Breno Caldas, sob título “Palmo e Meio”.
Pastelaria
Além do fedor da pastelaria aqui embaixo, outros ventos trazem à memória o mau cheiro de algumas maracutais e uma quase recente rachadinha envolvendo passo-fundenses.
Trilha sonora
Diana Ross – Do You Know Where You're Going To?


